domingo, 21 de agosto de 2011

Pai


Por insistência de minha filha, li o livro “A última música” e achei importante compartilhar a estória  do livro.
Nele é contada a trajetória de uma adolescente que em seus conflitos com os pais, descobre também o amor.  Porém o que me chamou a atenção, foi o fato de que, ao descobrir a doença incurável do pai, descobre também o quanto foi injusta com ele. Na separação dos pais, essa adolescente fica com a mãe e no verão a mãe decide que ela e o  irmão ficarão com o pai, mas ela não sabe o porquê e fica revoltada. Enquanto isso, tenta irritar o pai. Fica tão envolvida em seus problemas que não percebe que ele está doente.
Quando  descobre, começa a refletir sobre suas ações e arrepende de perder três anos sem contato( sem  conversar) e odiando aquele que a protegeu dos problemas conjugais que levou à separação(a mãe o  havia traído). Mas, como ainda há tempo de se perdoar, a personagem deixa seus problemas de lado e passa a olhar o pai com outros olhos e dedica seu tempo a ele.
O livro me chamou a atenção, porque minha relação com meu pai foi muito boa e ele também foi vítima da mesma doença. No entanto eu o amava muito e nunca o deixei de lado, muito pelo contrário, viajava sempre com ele. Infelizmente o perdi muito cedo (ele morreu quando eu tinha 7 anos), mas me lembro de todos os momentos juntos. Me lembro também de como foi triste vê-lo sofrendo, vomitando sangue, fraco, sem conseguir andar, deitado e definhando em seu leito. Meu pai foi o maior amor de minha vida! Sofri muitos anos, sem entender o porquê ele foi embora! Me senti muito só! Talvez por isso, hoje não ligo em ficar sozinha, aliás, até gosto.  Só me conformei com sua morte quando, mais ou menos, aos 14 anos, sonhei com ele me dizendo que nunca me abandonaria. O sonho foi como uma mensagem de conforto. Até então, nada tinha sentido pra mim. Meu pai era minha segurança.  Se fosse hoje, aceitaria sua morte, pois não seria egoísta a ponto de vê-lo sofrendo e querendo que ele vivesse só para que eu não sofresse.
Sempre reflito no Dia dos Pais, porque alguns homens que separam de suas esposas, separam também de seus filhos (como meu ex-marido, por exemplo), que se tornam ex pais.
O pior é que ninguém cobra do pai a falta de presença, mas se é a mãe... aí é outra história!
Pai também é  importante! Por isso, deveriam pensar muito antes de ter filhos. Pensar se numa separação darão conta de conviver com seus filhos.  Pois a separação é da esposa e não dos filhos.
Muitos filhos se acham culpados pela separação, exatamente porque não entendem o desaparecimento do pai.
Repito, pai precisa estar presente, mesmo em casas separadas!
Parabéns aos pais que não abandonaram seus filhos e parabéns às mães que fizeram o papel destinado a eles e assim como eu, cuidaram de seus filhos, sem nenhuma ajuda ou apoio!


Nenhum comentário:

Postar um comentário