"Quando quero viajo sozinha. Entro em restaurante sozinha, dirijo meu carro sozinha. Ainda há mulheres que, quando combinamos um almoço ou um jantar, me esperam na porta do restaurante porque não conseguiriam entrar sem companhia. E não falo de desamparadas donas-de-casa sem cultura, nem de camponesas que nunca entraram em um restaurante.
Não é natural uma mulher madura ter medo de entrar sozinha num restaurante. Não é natural proibir-se de viver por causa da opinião alheia. Não é natural envergonhar-se de amar, desejar, em qualquer idade. É inatural não ter mais projetos aos 70 anos.
O essencial é que a que estou vivendo seja a minha vida: não aquela que os outros , a sociedade, a mídia querem impor. Que ela seja desdobramento e abertura, que neste universo de mil recursos e artifícios, de artefatos e inovações fantásticas, de agitação e efervescência, eu consiga ainda ter o meu lugar, aquele onde me sinto bem, onde estou confortável – não adormecido. Onde eu possa ainda acreditar: não faz muita diferença em quê, desde que não seja unicamente no mal, na violência, na traição, na corrupção, no negativo.
Para que o argumento da nossa história seja o de uma viagem de reis: não um bando de ratos assustados correndo atrás de seus próprios reflexos num labirinto espelhado."
